domingo, 16 de setembro de 2007

A Tenda

Quanto mais freqüento o Planeta Azul, mais percebo a quase infinita diversidade cultural. Há bilhões de terráqueos, que formam tribos, vilarejos, cidades, países e até mesmo impérios. Tudo isto, contendo as mais variadas formas de pensar e interagir no mundo. Mas o que realmente mais me deixa fascinado, é o fato de não existir nenhuma cultura superior ou inferior, pois todas elas fazem parte da mesma orbe, ou seja, se enquadram praticamente na mesma freqüência. A única coisa desagradável, é que os próprios terráqueos ainda não perceberem isto, pois é fortemente presente a falta de respeito entre culturas.

Na medida em que percebemos nos outros a diferença no modo de pensar, temos a oportunidade de enxergar melhor os nossos próprios valores, pois eles realçam em relação à diferença alheia. Este fato também nos leva a descobrir novos mundos terráqueos, pois por incrível que pareça, há vários mundos complexamente diferentes dentro de um mesmo território.

Há também povos sem territórios, como é o caso dos judeus e ciganos, espalhados pelo Planeta Azul. São povos especiais, e devido a esta característica, podem nos ensinar muitas coisas.

Certa vez, estava eu e a Persona Yin vagando por aí, quando nos deparamos com uma tenda cigana. Fiquei curioso para saber como era lá dentro. Não resisti e fui conferir. Ao me aproximar, vi duas mulheres sentadas, entre elas, havia uma mesa com várias cartas de baralho. A Persona Yin disse-me que estavam jogando Tarot.

Enquanto a Persona Yin detalhava-me a respeito do Tarot, alguém nos chamou. Viramos nossos olhares em direção à voz e nos deparamos com a Cigana Kassandra. Ela estava nos convidando para “tirar uma carta”.

Entramos na tenda da Cigana Kassandra e sentamos à sua frente. Ela colocou uma toalha verde na mesa e pegou uma caixa vermelha. Dentro caixa, encontrava-se o Tarot. Olhou fixamente em nós, enquanto embaralhava rapidamente as cartas dizendo algumas palavras em voz baixa. Em seguida, espalhou as cartas uniformemente na mesa e pediu à Persona Yin que escolhesse com a mão esquerda uma carta. E assim foi feito.

A carta tirada representava a “inocência”. Em seguida, a Cigana Kassandra começou a falar:

"A inocência que advém de uma profunda experiência de vida é semelhante à de uma criança, sem ser infantil. A inocência das crianças é bela, mas ignorante. Ela será substituída por desconfiança e dúvida à medida que a criança for crescendo e aprendendo que o mundo pode ser um lugar perigoso e ameaçador. A inocência porém, de uma vida plenamente vivida tem um quê da sabedoria e da aceitação do milagre da vida em eterna mudança. A simbologia da carta diz que se você abandonar o conhecimento (e dentro do conhecimento inclui-se tudo: seu nome, sua identidade, tudo... porque tudo isso lhe foi dado pelos outros), se você abandonar tudo o que lhe foi dado pelos outros, você adquirirá uma qualidade totalmente diferente de ser.
Isso será a crucificação da personalidade, e haverá uma ressurreição da sua inocência; você se tornará outra vez uma criança, renascida."


Agradecemos, levantamos e fomos embora.

Em relação ao que a Cigana Kassandra nos disse, ainda não cheguei a uma conclusão. Tenho que me recolher e meditar, pois só assim conseguirei entender melhor a sua forma de pensar. A única coisa que tenho certeza, é que pelo fato dela ser de uma cultura muito diferente das que eu estou acostumado a lidar, a sua visão de mundo em um primeiro momento me é estranha, porém não é melhor nem pior do que todas as outras que já conheço, e que com toda certeza, eu devo-lhe prestar meu respeito.

domingo, 9 de setembro de 2007

O Chefe Ãngujá


Levo meu dia-a-dia de forma responsável. Tento sempre fazer o melhor que posso, apesar de às vezes eu não acertar. Quando erro, me decepciono e um sentimento de culpa me aniquila. Às vezes até adoeço, mas o que nunca me falta é coragem. Coragem para erguer a cabeça e dar a cara pra bater novamente. É assim que aprendemos, tendo a coragem para errar. O acerto só aparece depois do erro. Quem não tem coragem de errar, dificilmente acerta. Para o acerto é necessário atitude, atitude de um guerreiro.

Como qualquer outro ser, também tenho rotina, e entre uma atividade e outra, sempre reservo um tempo para estudos metafísicos. Gosto de envolver-me no modo peculiar de como os terráqueos lidam com as questões espirituais.

Há algum tempo, houve uma agitação na região onde me encontrava. Todo o alvoroço era causado pela presença de um xamã, que tinha o poder de transcender as pessoas, fazendo- as chegarem a algum entendimento superior, relacionado às questões existenciais. Relutei muito, até que cheguei à conclusão de que valeria à pena conhecer o trabalho da Persona Tuiavii, O Xamã.

Fui ao encontro dele em uma noite de lua cheia e estrelada, o tempo estava quente e uma brisa suave amenizava o clima. Durante o dia, consumi somente alimentos naturais e pratiquei meditação, no intuito de centrar meus pensamentos e tirar o máximo de proveito da experiência que iria passar.

O local onde ocorreria o trabalho era espaçoso. Bem a minha frente podia ver algumas árvores de um jardim de inverno. Pouco mais à direita, uma gravura de um senhor com chapéu, uma mesa com toalha rendada, incensos e uma jarra de barro.

Fui muito bem recebido pela Persona Tuiavii. Era uma pessoa alta, sorridente e vestia-se de branco. Acomodou-me sentado à sua frente e iniciou o ritual. Procurou dizer palavras sábias para me acalmar, ao mesmo tempo em que acendia os incensos. Em seguida, sem nada me questionar, pegou as maracas o começou a cantar continuamente ícaros, em uma língua que eu não pude identificar. Alternava a cantoria com assobios. Tudo era muito agradável.

Depois de algumas horas, já cansado de ficar na mesma posição, minha vista turvou. Tinha que fazer muito esforço para poder ver o xamã com clareza. Nesta altura, apenas percebia um grande homem à minha frente vestido de branco e todo iluminado, como se estivesse em um lugar com luz negra. Ao mesmo tempo em que continuava escutando as canções, passei a sentir também, um silêncio interior muito forte.

Em determinado momento, tudo ficou escuro, e a sensação era de que eu estava perdido no espaço sideral. Senti muito medo, não sabia o que fazer. Acho que eu transcendi. Fiquei em pânico até que o espírito do Chefe Ãngujá me encontrou e guiou-me para a sua tribo, no plano espiritual. Tive a certeza que estava fora do meu corpo, encontrava-me em outro mundo.

O Chefe Ãngujá disse-me que eu era muito jovem, comparou meu espírito como o de um garoto de dez anos de idade e que eu tinha ainda muito o que aprender. Deixou-me como lição a OBSERVAÇÃO, pois como sei pouco sobre a vida, esta seria a melhor ferramenta para ajudar em meu desenvolvimento. Concordei com ele, pois realmente uma ótima forma de aprender é apenas observando.

Antes que eu partisse, vestiu meu espírito com a força da coragem: Colocou em mim o “Cinturão da Verdade” e a “Couraça da Justiça”. Em meus pés, os “Sapatos da Prontidão”. Para minha proteção, deu-me duas armas: O “Escudo da Fé” e a “Espada do Espírito da Bondade”.

Lentamente fui retornado ao meu corpo e a imagem da Persona Tuiavii foi clareando a minha frente novamente. Um ritual de passagem havia acontecido. O xamã durante todo o tempo, não deixou de cantar um instante sequer e, ao perceber de que eu “estava de volta” foi finalizando a cerimônia.

Antes de eu partir, abraçou-me dizendo em meu ouvido: "Seja um guerreiro corajoso!"

Fui embora tranqüilo, mas confesso que, em pouco tempo, aprendi muita coisa. Coisas que estou digerindo até agora.

Como todo ser, é normal que em determinados momentos eu tenha medo, insegurança ou qualquer outro sentimento que faça com que nos sintamos fracos ou impotentes. Mas aos poucos, me esforço para usar a “armadura” espiritual que ganhei do Chefe Ãngujá, já que hoje, reconheço a importância da coragem no dia-a-dia.


"Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz
Coragem, coragem, eu sei que você pode mais"

.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Tem alguém aí?

No meu décimo quarto inverno terráqueo, passando alguns dias na morada da Persona Fartura, 3 seres aparecem à minha frente: Persona Rosicrucianum, Persona Fraterna e Persona Prima-Dona.

Persona Fraterna carregava, além de um livro negro, um tabuleiro. Logo pensei que era algo para se brincar, pois todos pareciam eufóricos. O livro negro dizia algo a respeito de “ciências proibidas” e o tabuleiro, apresentava algumas imagens estranhas e letras do alfabeto, formando um circulo.

Antes que eu perguntasse alguma coisa, entramos em um quarto e ficamos prestando atenção na leitura em voz alta que a Persona Prima-Dona fazia, dizendo quais eram as regras de conduta para a atividade com o novo brinquedo. Foi somente aí que eu me dei conta da situação: Não se tratava de um brinquedo, aquele tabuleiro era um Portal. Tentaríamos naquele momento, supostamente, os primeiros contatos com seres desencarnados. No início achei bobagem, mas como todos estavam levando a sério, resolvi também apostar minhas fichas.

Esperamos os mais velhos saírem para começarmos o ritual e, em seguida, fizemos tudo o que o livro dizia. Já que estávamos sozinhos, a primeira atitude foi trancar toda a casa. Colocamos flores no quarto para harmonizar o ambiente. Era dia, portanto para deixar o quarto com meia luz, era suficiente apenas fechar a veneziana, e assim foi feito.

Sentamos em volta do tabuleiro que estava no chão e colocamos um copo com a boca virada para baixo, já que a idéia era o copo se mexer em direção às letras, nos fornecendo respostas, dialogando. Em seguida, dividimos as tarefas: Eu, ficaria com um caderno anotando as mensagens recebidas; Persona Fraterna, quando necessário, era a encarregada de passar talco no tabuleiro para o copo deslizar melhor. A Persona Prima-Dona, por ser mais velha, seria a única encarregada de dialogar diretamente com "o copo", para não virar bagunça. A Persona Rosicrucianum permaneceria em alerta, para resolver qualquer imprevisto.

Em absoluto silêncio, ficamos com as mãos dadas por alguns minutos. Neste momento, cada um procurou se concentrar ao seu modo, inclusive com preces e orações. Após este momento trocamos olhares e, muito lentamente, soltamos as mãos. Finalmente, todos colocaram o dedo no copo. Respirando profundamente, esperei a Persona Prima-Dona soltar a famosa pergunta: “Tem alguém aí?”.

Foi desta forma que aconteceu o meu primeiro contato com o Ritual da Tábua Ouija. Neste inverno, conhecemos algo além, algo que os adultos mais próximos a nós ainda não tinham explicações.

Durante algum tempo realizei esta prática. Hoje, vejo que tirei várias lições, independentemente de ser comunicação com espíritos, poder da mente ou qualquer outra coisa.

Uma delas, é que devemos traçar o nosso próprio caminho, sem deixar que palpites alheios dominem nossa vida. Devemos ser guiados pelo livre arbítrio, de acordo com o que achamos que é correto.

Se alguém vier me perguntar se deve participar de um Ritual da Tábua Ouija, pelas minhas experiências direi para não fazer, pois não é saudável. Dependendo da pessoa, esta atividade pode ser muito prejudicial. A pessoa pode se tornar escrava de algo completamente sem Luz.

Às vezes, tenho vontade de passar por esta experiência novamente, mas quando paro para pensar, vejo que não vale à pena.