domingo, 9 de setembro de 2007

O Chefe Ãngujá


Levo meu dia-a-dia de forma responsável. Tento sempre fazer o melhor que posso, apesar de às vezes eu não acertar. Quando erro, me decepciono e um sentimento de culpa me aniquila. Às vezes até adoeço, mas o que nunca me falta é coragem. Coragem para erguer a cabeça e dar a cara pra bater novamente. É assim que aprendemos, tendo a coragem para errar. O acerto só aparece depois do erro. Quem não tem coragem de errar, dificilmente acerta. Para o acerto é necessário atitude, atitude de um guerreiro.

Como qualquer outro ser, também tenho rotina, e entre uma atividade e outra, sempre reservo um tempo para estudos metafísicos. Gosto de envolver-me no modo peculiar de como os terráqueos lidam com as questões espirituais.

Há algum tempo, houve uma agitação na região onde me encontrava. Todo o alvoroço era causado pela presença de um xamã, que tinha o poder de transcender as pessoas, fazendo- as chegarem a algum entendimento superior, relacionado às questões existenciais. Relutei muito, até que cheguei à conclusão de que valeria à pena conhecer o trabalho da Persona Tuiavii, O Xamã.

Fui ao encontro dele em uma noite de lua cheia e estrelada, o tempo estava quente e uma brisa suave amenizava o clima. Durante o dia, consumi somente alimentos naturais e pratiquei meditação, no intuito de centrar meus pensamentos e tirar o máximo de proveito da experiência que iria passar.

O local onde ocorreria o trabalho era espaçoso. Bem a minha frente podia ver algumas árvores de um jardim de inverno. Pouco mais à direita, uma gravura de um senhor com chapéu, uma mesa com toalha rendada, incensos e uma jarra de barro.

Fui muito bem recebido pela Persona Tuiavii. Era uma pessoa alta, sorridente e vestia-se de branco. Acomodou-me sentado à sua frente e iniciou o ritual. Procurou dizer palavras sábias para me acalmar, ao mesmo tempo em que acendia os incensos. Em seguida, sem nada me questionar, pegou as maracas o começou a cantar continuamente ícaros, em uma língua que eu não pude identificar. Alternava a cantoria com assobios. Tudo era muito agradável.

Depois de algumas horas, já cansado de ficar na mesma posição, minha vista turvou. Tinha que fazer muito esforço para poder ver o xamã com clareza. Nesta altura, apenas percebia um grande homem à minha frente vestido de branco e todo iluminado, como se estivesse em um lugar com luz negra. Ao mesmo tempo em que continuava escutando as canções, passei a sentir também, um silêncio interior muito forte.

Em determinado momento, tudo ficou escuro, e a sensação era de que eu estava perdido no espaço sideral. Senti muito medo, não sabia o que fazer. Acho que eu transcendi. Fiquei em pânico até que o espírito do Chefe Ãngujá me encontrou e guiou-me para a sua tribo, no plano espiritual. Tive a certeza que estava fora do meu corpo, encontrava-me em outro mundo.

O Chefe Ãngujá disse-me que eu era muito jovem, comparou meu espírito como o de um garoto de dez anos de idade e que eu tinha ainda muito o que aprender. Deixou-me como lição a OBSERVAÇÃO, pois como sei pouco sobre a vida, esta seria a melhor ferramenta para ajudar em meu desenvolvimento. Concordei com ele, pois realmente uma ótima forma de aprender é apenas observando.

Antes que eu partisse, vestiu meu espírito com a força da coragem: Colocou em mim o “Cinturão da Verdade” e a “Couraça da Justiça”. Em meus pés, os “Sapatos da Prontidão”. Para minha proteção, deu-me duas armas: O “Escudo da Fé” e a “Espada do Espírito da Bondade”.

Lentamente fui retornado ao meu corpo e a imagem da Persona Tuiavii foi clareando a minha frente novamente. Um ritual de passagem havia acontecido. O xamã durante todo o tempo, não deixou de cantar um instante sequer e, ao perceber de que eu “estava de volta” foi finalizando a cerimônia.

Antes de eu partir, abraçou-me dizendo em meu ouvido: "Seja um guerreiro corajoso!"

Fui embora tranqüilo, mas confesso que, em pouco tempo, aprendi muita coisa. Coisas que estou digerindo até agora.

Como todo ser, é normal que em determinados momentos eu tenha medo, insegurança ou qualquer outro sentimento que faça com que nos sintamos fracos ou impotentes. Mas aos poucos, me esforço para usar a “armadura” espiritual que ganhei do Chefe Ãngujá, já que hoje, reconheço a importância da coragem no dia-a-dia.


"Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz
Coragem, coragem, eu sei que você pode mais"

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6 comentários:

Helen Dante disse...

rs...coragem sempre!! Só agora notei seu comentário no meu blog, quero te agradecer a visita...

Isa Campos disse...

oi persona rocha...
quanto tempo!
após escrever meu post resolvi passar por aqui para dar uma olhada e me deparo com uma boa resposta para minhas indagações: coragem!
valeu mesmo!

Isa Campos disse...

obrigada pelos seus conselhos persona rocha!

Carpe Diem!!

Anônimo disse...

Ola sou "eu" só queria lhe dizer que achei sei blog, não chegei aqui ainda estou ainda em Julho, "no passado"
estou gostando

Persona Rocha disse...

Oi Persona Isa,

Que bom que resolveu dar uma passada por aqui novamente e gostou dos conselhos.

Nesta vida, sempre que possível, temos que nos ajudar.
Ninguém vive só!

Fui...

Persona Rocha disse...

Olá Persona "eu"!!!

Seja bem vinda. Espero que vc se divirta com mihas fritações.

Não se prenda ao passado, pois ele já não existe mais... hahahaha

Paz e Bem!

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