segunda-feira, 21 de julho de 2008

Uma maga amiga


Ontem, pela manhã a Persona Fraterna me ligou. Disse que estava lendo o jornal e se deparou com a notícia do falecimento da Dona Francisca. A Dona Francisca foi minha amiga.

Certa vez, eu estava com um problema na sola do meu pé. Tratava-se de uma doença de pele que eu não conseguia resolver, apesar de já ter passado por algumas médicas dermatologistas.

Na medida em que o tempo passava, a situação piorava. Comecei a ficar nervoso, pois estava ficando difícil até para ir trabalhar. Recorri à minha mãe, pedindo ajuda.

Minha mãe se lembrou de uma benzedeira que havia ajudado meu avô algum tempo atrás, com um problema de pele que ele tinha devido à diabetes. Era a Dona Francisca.

Dona Francisca era uma benzedeira, devota de Nossa Senhora das Graças, cultivava várias ervas em seu quintal. Dava passe nas pessoas que a visitavam, sempre com uma medalha da Nossa Senhora das Graças em sua mão, sua casa sempre estava cheia nas segundas, quartas e sextas – dias em que ela fazia atendimento. Tinha um poder muito grande, várias pessoas foram curadas por ela, recebia pessoas até de outras cidades.

Fui até a casa dela. Apresentei-me e lhe contei o meu problema. Olhou em meus olhos, colocou a mão em um dos meus ombros e escutou o meu desabafo. Disse-me para ficar tranqüilo e não tomar nenhum remédio. Foi até seu quintal, pegou uma folha não sei do que, colocou em meu pé e fez a sua reza. Entrei lá mancando, sem conseguir por o pé no chão, e depois de alguns minutos fui embora andando normalmente, sem nenhuma dor. Em uma semana estava curado, sendo que neste período voltei lá só mais uma vez para ser benzido.

Tenho uma gratidão muito grande por ela, ainda mais depois que eu passei a freqüentar a casa dela e pude perceber o carinho com que ela tratava as pessoas que iam procurá-la para resolver seus problemas por meio de sua forte reza.

Dona Francisca era uma sábia. Tinha perfeita consciência de seu poder e o utilizava para o bem. Este exemplo me fortalece, fortalece a minha fé.

As últimas vezes que fui até a casa dela já não era mais para ser benzido, era simplesmente para vê-la, para conversar um pouquinho com uma pessoa fantástica. Gostava de observá-la e escutar suas conversas sobre a vida. Aprendi claramente que podermos ir em busca da espiritualidade tranquilamente, sem rigidez. Aprendi que até os santos fazem piadas.

Disse que adquiriu o poder de benzer as pessoas com a sua sogra. Conforme reza a tradição, as benzedeiras vão passando seu poder para alguém próximo e quase sempre de outra geração.

Dona Francisca se desmaterializou, mas continua viva em meu coração e espero que em algum outro momento da minha vida, eu possa encontrar está maga novamente. Também confesso que gostaria muito de saber para quem Dona Francisca passou sua sabedoria...

Muito obrigado, Dona Francisca!
Este terço, eu dedico a você.

Luz!

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