segunda-feira, 19 de março de 2007

Nada é uno.

Há dualidade em tudo que encontramos na natureza, aliás, é uma lei universal. O ser humano, por puro descontrole científico, busca a essência de tudo e ao se especializar cientificamente se esquece do todo. Chega na menor parte possível do todo, até onde não consegue mais dividir e aí acredita que achou o "uno". E gora? Fazer o quê com este "uno"? Pra começar este "uno" não é uno, não é a essência. E depois outra, se pensarmos matematicamente, a divisão nunca acaba, sempre podemos dividir ao meio novemente. A ciência não chegou ao fim, vive ainda a pré-história e podemos ter certeza de que existe muitos erros na forma de como ela é construída. É uma pena, mas apesar de todo o avanço na medicina e tecnologia há muito mais probabilidade de estarmos errados do que certos, e o que é certo cientificamente hoje poderá ser errado amanhã.

A natureza é dual. Os opostos sempre estão juntos, cabe a nós utilizarmos tudo com equilíbrio. O problema é que muito conhecimento se perdeu na História, muitos conhecimentos foram aniquilados, destruídos por pura ignorância humana. Há sabedorias que se salvaram, só que devido a nossa estrutura social acreditar que somente a ciência é a VERDADE, outras formas de conhecimento se tornaram ocultos do nosso dia-a-dia. Aos interessados ele aparece, basta ir ao encontro.

Uma boa ferramenta aos interessados, por incrível que pareça, faz parte da ciência. A Antropologia. Como vemos até a ciência não foge à regra e tem dualidade. Na antropologia eu descobri outras cosmologias, outras tecnologias, outros remédios e outras respostas.

Nada é uno, nada é absoluto. Tudo tem seus prós e contras, cabe a nós colocarmos na balança e descobrirmos a medida certa para que os "contras" não prevaleçam e utilizar os "prós" com sabedoria. É pura questão de consciência, cautela e responsabilidade. O que diferencia o remédio do veneno é apenas a dose.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Problemas

Certo dia, a Persona Intelectus me disse que a característica de uma pessoa mais inteligente do que outra é a velocidade com que se resolve um problema, e isto de certa forma faz sentido. Porém as coisas não são tão simples deste jeito, cada persona possui o seu limite e além do mais a resolução depende da vivência.

Após uma leve fritada cheguei a um pensamento, não sei se é precipitado, mas já é uma hipótese. Na realidade, estou começando a perceber que para se viver aqui neste planeta, é necessário solucionar problemas diários.

Esta resolução de pequenos problemas diários nos fornece a vivência para lidar com as questões mais complexas. Neste sentido, podemos realizar uma analogia com o jogo de xadrez, em que cada partida acontece um problema diferente para ser resolvido. Um jogador iniciante ou com pouca vivência tem uma maior dificuldade e muitas vezes acaba sendo derrotado, porém o jogador mais experiente e astuto possui maior probabilidade de êxito.

Quando tenho uma dificuldade procuro meditar para ver se encontro a solução, e neste ato meditativo tenho o hábito de escutar ou dizer algum mantra. Mantra é algo repetitvo, cíclico que ocupa o nosso ego e assim nos fornece a possibilidade de buscarmos a resolução.

Se a vida é um grande problema a ser resolvido, será que o ciclo de dia e noite não acaba se tornando um enorme mantra produtor de vivência que nos ajuda na resolução dos problemas? Se a idéia for esta, é muito importante não perdemos o foco dos problemas e prestarmos a atenção em tudo que ocorre durante o mantra do "dia e noite".

E agora? A coisa ficou estranha... Se a vida é a resolução de problemas diários, quando não houver problemas é porque estamos mortos???

Acordei, vi que tenho problemas e portanto estou vivo. Ótimo, aproveitarei para encontrar a Persona Yin e dividir momentos felizes.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Não sei onde estou indo

Nascemos ignorantes e isto é um fato.

Eu também nasci. Não conhecia nada, não sabia de nada. Hoje, muita coisa ainda é nova e tenho muitas dificuldades, mas apenas vivendo e interagindo há aprendizado, que aliás é uma tarefa muito dura e árdua.

Quanto mais se aprende, mais se conhece e a vida se torna intensa. Não devemos parar nunca, pois ao nos acomodar, a vida pára e perde a graça. Tudo passa a ser rotina e as atividades se tornam automáticas diminuindo assim os prazeres da vida e pela vida.

Eu sempre fui muito curioso, questionava tudo, principalmente o que eu não gostava. Fui "do contra". No início da adolescência fui roqueiro e me sentia super irreverente, autônomo. Mais pra frente acabei pirando com a idéia de anarquia, buscava a liberdade, queria ser livre e quando recordo desta utopia sempre surge na minha cabeça: "O movimento punk nunca há de morrer, o movimento punk nunca há de morrer..." É muito bom.

O tempo passou, amadureci, revi meus conceitos e resolvi caminhar em um outro sentido. Não que este outro sentido seja melhor que o anterior, foi apenas um outro rumo que surgiu à minha frente. Socialismo. Achei o socialismo mais justo do que a situação em que vivia, e ainda outra, não era tão utópico. A teoria é justa e parecia existir um pouco desta liberdade que eu buscava. Hoje ainda acho que é uma opção melhor do que a situação atual, porém no quesito liberdade acabei dando com a cabeça na parede. Tudo e todos são controlados, controle total. Realmente ainda considero uma teoria linda, mas tô fora.

Um dia papeando com outros fritados, rolou aquele papo batido de que religião é o ópio do povo. Gosto disto, pois vejo dois lados: O lado ruim, que a religião aliena e te coloca para fora do circuito e o lado bom, que te aliena e te coloca para fora do circuito. Será que a liberdade está do lado de fora? Hum... Fui em busca de um conhecimento empírico e aconteceu o mesmo que com o socialismo. A teoria é boa, mas na prática só encontro regras, tudo muito dogmático, também tô fora!

E a liberdade? Onde eu encontro?

Conheci uma persona sensacional, a Persona Camará. Ela comentou comigo que a liberdade plena é ilusão, ela não existe. Liberdade é algo que temos que ir ao encontro constantemente. Se deixarmos de ir ao encontro ela some, pois está simplesmente em nossa consciência. Refleti a respeito e acredito que realmente eu possa encontrar a liberdade na expansão de consciência. Expansão de consciência que busco na filosofia. Hoje já descobri alguma coisa boa e estou trabalhando para viver na práxis o pouco que aprendi.

Do jeito que sou, tenho certeza de que logo outro caminho aparecerá à minha frente, pois não irei parar por aqui. Não sei qual será, mas aparecerá. E como diria a Persona Cavanha Mor: Não sei onde estou indo, mas sei que estou no meu caminho.

terça-feira, 6 de março de 2007

Treine como você luta...

...lute como você treina.

Ontem fui ao local destinado a inspiração/expiração e tive a oportunidade de escutar da Persona Marcial esta mensagem.

O corpo, a mente e o espírito devem estar em harmonia e como já havia comentado em um post anterior, o local destinado a inspiração/expiração é ótimo para trabalharmos o corpo e educarmos a mente. Nunca é fácil aprender, principalmente quando se trata de educar a mente. O ego (mente) acha que sabe mais que todo mundo, que está certo e sempre está dando pitaco nas atitudes alheias - vê o cisco no olho dos outros e nunca vê a trave que se encontra no seu.

Estou neste processo de aprendizado, sei algo sobre a teoria, mas vivo apanhando na prática. Quando a Persona Marcial disse "treine como você luta e lute como você treina", ao refletir a respeito, lembrei da Persona Bigode. A Persona Bigode é muito querida e possui um leque de provérbios. Quando eu era menor, vivia me dizendo que tudo que deve ser feito, deve ser bem feito.

Se temos que fazer algo, nada melhor do que realizar a tarefa com atenção e capricho, tomando o devido cuidado para tudo ficar o mais próximo da perfeição possível. Assim, isto nos evita futuros aborrecimentos e nos proporciona um certo prazer corriqueiro. Quando a coisa é feita sem a devida atenção ou com má vontade, podemos ter certeza de que teremos que enfrentar a situação novamente de forma mais dura, o que se torna algo desagradável.

Estou me esforçando para superar e melhorar o "meu treino". Tudo que deve ser feito, deve ser bem feito...

domingo, 4 de março de 2007

"Tudo ao mesmo tempo agora"


Nossa Senhora! Hoje eu estou com a cabeça vazia, e como dizia a Persona Fartura, cabeça vazia é oficina do diabo. Antes que eu comece a pensar besteira, acho melhor eu fazer uma retrospectiva destes últimos dias.

A semana que passou não foi das melhores, tanto é que na sexta-feira eu mesmo não estava me agüentando e achei melhor ficar isolado e refletir. Quando me sinto deste jeito, normamente é porque existe o "fantasma cobrador", que sempre está pronunciando dois verbos: TER e PRECISAR. Esse "fantasma cobrador", se dou oportunidade, fica o tempo todo ditando ordens que me deixam completamente maluco.

"Tenho que estudar, preciso trabalhar, tenho que treinar, preciso cuidar da minha alimentação, tenho que ser mais prestativo, preciso ajudar as pessoas, tenho que ter paciência, preciso me divertir..." É uma infinidade de necessidades impostas pelo meu ego e, como Krishna nos diz, o ego pode ser nosso melhor amigo ou nosso pior inimigo. Pensando bem, esses dias ele foi a segunda opção.

Com todas estas necessidades impostas, aparece um efeito desagradável: Ansiedade. Quando me encontro ansioso, a coisa desanda. O mundo pára e eu fico travado, não consigo fazer nada. É um período de angústia que precisa ser transformado.

Como já estou postando aqui, é sinal de que a coisa fluiu. Esse estado já passou e agora retorno ao meu cotidiano tranqüilamente. Se estava ansioso é pq tenho muito o que fazer e achava que não dava conta, mas pensando nas palavras de Lao Tsé - "uma jornada de quilômetros começa com o primeiro passo" - amanhã será diferente. Sei que não darei conta de fazer tudo, mas farei. Farei uma coisa de cada vez, tranqüilamente, sem me afobar, racionalmente e o principal: mantendo o equilíbrio. Não adianta colocar a carroça na frente dos bois...

Ao percebermos que estamos passando pelo momento "tudo ao mesmo tempo agora", é hora de pisar no freio, refletir e começar novamente pelo primeiro passo.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Inspiração/Expiração


A cada dia que nasço no planeta Terra percebo que o corpo que utilizo está se deteriorando. É fato que em certo momento ele deixará de ser usável e, se eu ainda não tiver terminado meus afazeres por aqui, terei que entrar novamente na fila de espera por um novo corpo para poder continuar as minhas lições.

Desta forma, como o caminho para o nirvana é longo, quanto mais eu cuidar deste corpo melhor será para o meu desenvolvimento. Aqui o meu corpo é minha morada, meu templo.

Neste exato momento estou em confronto com meu ego, preciso domá-lo e passar a frenqüentar, se possível diariamente, o local destinado a inspiração/expiração. Quanto mais eu freqüentar este local, melhor será para o meu corpo e conseqüentemente para o meu ego, pois ele se tornará mais educado.

Se um corpo é cuidado como uma morada e se o ego for bem educado, o caminho tende a se tornar reto e tudo fica mais fácil para o espírito caminhar.

Palavra Mágica


É muito interessante adotarmos uma postura não radical, isto para mim é sinal de crescimento. Já fui radical, e durante este período percebi que não cresci o quanto poderia, pois estava fechado para as coisas novas. Às vezes quando penso nisso, vejo este período como algo sombrio, sem luz em minha vida.

Foi bom ter acontecido isto, pois agora depois de ter passado por esta vivência, tudo ficou mais light. Posso aceitar o erro com mais facilidade e mudar de idéia de acordo com o novo aprendizado.

O bom é não ser radical e procurar viver em harmonia com os opostos, conforme ensina o diagrama chinês Tei-Gi. Aliás resolvi citar o diagrama Tei-Gi porque lembrei da Persona Yin. Ela não gosta de ecletismo fugaz e de certa forma tem razão, não devemos fugir de nossos gostos e idéias e ser um "tanto faz". Devemos viver sem conflito com o que não gostamos ou não aceitamos.

Assim sendo, chego em uma palavra mágica: RESPEITO.